sexta-feira, 15 de junho de 2012

Funambulista...

É como me sinto hoje!
Pensava eu que tinha os princípios éticos minimamente bem definidos nesta área, mas...

Dizem que a pessoa humana é muito mais do que um composto de elementos bioquímicos e não deve ser objecto de experimentações biológicas ou químicas com vista ao puro progresso da biotecnologia. Concordo, até porque toda a intervenção sobre as estruturas e o património genético da pessoa deve estar orientada para o remendo de anomalias... Concordo outra vez, mas...

Se a biotecnologia é útil e pode corrigir anomalias, se as perspectivas da terapia génica para o tratamento de certas doenças são, igualmente esperançosas e merecem o compromisso da ciência e a destreza de quem realiza a investigação, será possível aprender e testar e evoluir sem "ofender" a integridade física ou violar a inviolável identidade genética da pessoa humana? 

Nenhuma utilidade social ou científica e nenhuma motivação ideológica poderão justificar jamais uma intervenção sobre o gene humano, que não seja terapêutica...? Fica a pergunta para quem não tiver medo da sensação de caminhar descalço sobre brasas acesas...

É... na verdade todos nós trabalhamos como funambulistas, no que toca a construir razão sobre o nosso próprio ser... e muitas vezes sem "rede" de suporte! Eu acho que encontrei a minha... é a mais segura de todas! Cuidar dela para que ela cuide de mim está ao nível do principal conceito de Immanuel Kant! 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sei...

Modéstia à parte, eu sei do que ela gosta...

Ela gosta que a trate como única!
Gosta de trocar mensagens durante a noite... 
Gosta que lhe tente ligar quando ela menos espera e gosta também de palavras simples e trapalhonas... 
Gosta de perguntas como: "estás a pensar em quê?" ou "o que se faz desse lado?"...
Gosta de um bom desafio, embora quase nunca admita que eu lhe dei a volta e a deixei sem resposta...
Gosta de flores e gosta de receber flores, nem que seja só uma roubada do vizinho... 
Gosta de surpresas calculadas, de filmes românticos e de comida dada na boca...
Gosta de um mimo quando está doente e gosta de um abraço silencioso mas bem apertado...

Gosto daquilo que ela gosta... e porque ela gosta de um beijo na testa depois de um beijo na boca, eu gosto dela!

Ela não vale a pena... vale a vida!!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Oxalá...

Oxalá o meu valor me permita superar este medo que em mim sinto de falar sobre aquele dia... não é por mal... é que ele foi tão simples e tão belo e tão natural que tanto a tua beleza como a daquele lugar me fazem estremecer de vontade de reclamar a tua paciência para estas linhas que escrevi com o pensamento lá bem longe...
Não tenho tido horas de paz para mim... a tua imagem que amo desde o dia em que te conheci faz-me agora sentir que é difícil acalmar-me e calar tudo o que sinto... 
Pudesse eu raptar-te para mim esta noite... ceder ao impulso que me deixa sedento de paixão... morder os teus lábios e com as minhas mãos atrapalhadas percorrer o teu corpo, desenhar o teu rosto banhado por aquelas águas límpidas e claras...
Oxalá aquela lua que no céu surgiu fosse a mesma que hoje me impele e obriga a escrever este texto sentido, sem sentido nenhum...
Amar não vale a pena! Vales a vida... a minha vida!!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Para sempre...

Tive tantas saudades tuas. Meu Deus, tive tantas saudades tuas durante todos estes anos...

É curioso como a profunda simplicidade das tuas palavras tem a força de abanar o meu mundo... 
Não quero voltar a perder aquilo que realmente me é importante, nem sequer por um minuto. É preciso dar valor a cada momento da vida, pois o amor não é um grande fogo ardente que percorre toda a nossa alma e nos queima até ficarmos irreconhecíveis.
O amor é feito de momentos simples do dia-a-dia que,  a pouco e pouco, fundam uma fortaleza tão sólida que nada a pode fazer cair. Nem a chuva, nem o vento, naquela praia de inverno... Nada!

Pus-me quase de joelhos e beijei-te as mãos... Levantei-me e afastei-me enquanto murmurava aquelas palavras que te trouxeram do esquecimento: - Hás-de ser para sempre! Prometo!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Da Terra e do Céu...

Caramba... esta paixão sujeita-me a um estado psicológico no qual aquilo que em mim é racional se submete às tendências primárias, e linguagens do desejo, as quais são de tal modo fortes que me arrastam a mim e a esta minha paixão, qual onda de maré cheia! De onde me virá tal poder?
(...)
Dir-me-iam: ser capaz de dominar as paixões é superar o adolescente que habita dentro de nós!! Porém, não é esta paixão por alguém ou alguma coisa o segredo para atingir uma meta (da terra e do céu) que se adivinha difícil, espinhosa, pouco exequível? 
Creio que sim... 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Trapos, farrapos e um passe-partout...

No fundo do meu quarto, como se da alma se tratasse, encontro aquilo que fui, que sou e quero ser. É lá que estou comigo agora. É lá que guardo as lágrimas que choro, sozinho, com vergonha de ser visto.
É lá que recordo aquilo que já tive um dia e que tanto, mas tanto desejo voltar a ter... no fundo do meu quarto, naquele recanto onde ninguém vê, sofro, choro, em silêncio. Por ti, se calhar...
Choro porque me arrisco a perder os teus gestos, o teu olhar, o teu abraço onde me dava jeito agora chorar. Por nós. Por aquilo que partilhámos. Pelo que somos. Pelo pouco que sou. Pelas minhas indecisões ou pela ausência delas. Pelo que queria que fossemos...
Gosto de ti! Gosto tanto...

Omnia Vincit Amor

sexta-feira, 9 de março de 2012

Lucidez

Filho, 

No dia em que eu já não conseguir ser o mesmo, tem paciência e tenta compreender-me. Quando eu deixar cair comida na minha camisa, quando não for capaz de atar os meus sapatos como deve ser, tem paciência comigo e recorda (traz ao coração!) as horas que passei a ensinar-te estas mesmas coisas

Se quando conversares comigo eu repetir e voltar a repetir as mesmas palavras, ao ponto de já saberes como termina a história, não me interrompas e escuta-me. Quando eras pequeno, para que adormecesses, tive que contar-te milhares de vezes a mesma história até que finalmente fechasses os olhos.

Se quando estivermos todos reunidos e, sem querer, eu me descuidar nas minhas necessidades, não tenhas vergonha porque eu nunca tive vergonha de te mudar a fralda tantas vezes quantas foram precisas. E possivelmente eu não terei culpa de já não me poder controlar.
Não me reproves se chegar o dia em que eu fizer birra porque não quero tomar banho... recorda as correrias que fiz atrás de ti para conseguir levar-te para a banheira.

Quando me vires completamente inútil e ignorante diante de todas as tecnologias que dominas de olhos fechados, peço-te que me dês todo o tempo necessário para não me magoares com um sorriso sarcástico... recorda com carinho todas as coisas que te ensinei. Comer, vestir, enfrentar a vida tão bem como hoje és capaz, modéstia à parte, fui eu quem te ensinou sem sequer reclamar uma única vez do tempo perdido. 
Em tudo e sempre, foi tempo ganho!

Se algum dia, enquanto conversamos, eu me esquecer do assunto da nossa conversa, dá-me todo o tempo que eu precisar para me recordar e se eu não conseguir não fiques impaciente... talvez não fosse assim tão importante e possivelmente aquilo que eu realmente queria era estar contigo.

Se algum dia eu não quiser comer, não percas a paciência comigo... Recordas-te das colheradas de sopa de legumes que eu balançava de um lado para o outro, dizendo que eram aviões que precisavam de aterrar? 
Quando as minhas pernas falharem por não terem já força para andar, dá-me a tua mão forte e terna para me apoiar, tal como eu fiz quando começaste a dar os teus primeiros passos. 

Por último, quando se um dia me ouvires dizer que já não quero viver mais e prefiro morrer, não te zangues... chegará o dia em que compreenderás que este desabafo não tem a ver com o carinho que me tens ou com o quanto te amei e amo. Sempre quis o melhor para ti e esforcei-me sempre para preparar bem os caminhos que agora deves percorrer. Assim, com este passo que desejo adiantar-me a dar, eu estou a querer construir para ti um outro rumo, num outro tempo, fisicamente ausente mas sempre sempre contigo!

Não fiques triste, enojado ou com sentimento de impotência por me veres assim... dá-me o teu coração, compreende-me e apoia-me, tal como eu julgo que fiz quando começaste a viver. Da mesma forma que sinto que te acompanhei no teu caminho, peço-te agora que me acompanhes terminando o meu. 

E, se de outra forma eu já não me puder expressar, o cuidado que me dedicares será retribuído não já com sorrisos mas sempre em dobro com o imenso amor que sinto por ti.

Atenciosamente,

O teu Pai